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Psicologia da Família

Vida adulta



 
 

Paternidade atual

O que é ser pai hoje? Como os pais ajudam seus filhos a crescerem? Divulgo hoje a reflexão de uma jornalista sobre o assunto. 

O texto é longo e merece ser lido com atenção. Corremos o perigo de viver em uma sociedade sem a ideia de responsabilidade e de amadurecimento para a vida adulta. Destaco um trecho, para aguçar a curiosidade e dar o que pensar:

"Se alguém errou, foi sempre o outro. Para ter certeza disso não é preciso nem apurar os fatos: o filho de um superpai é automática e previamente inocente. E não acho que essa mentalidade pertence apenas aos mais ricos, apenas que eles têm recursos para garantir essa inocência – e os mais pobres, raramente."

http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/eliane-brum/noticia/2012/03/eike-batista-um-superpai.html



Escrito por Edna Ponciano às 11h45
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Relacionamento pais e filhos na vida adulta

Tradicionalmente, o pai, principalmente, é visto como uma autoridade inquestionável. Hoje, a relação pais e filhos sofre modificações, redefinindo o que se compreende por autoridade e, consequentemente, o que se compreende por exercício do papel parental. Os pais, hoje, têm dificuldades de se definir numa posição hierárquica, levando-os a ressaltar a proximidade com seus filhos, principalmente no caso da mãe.

Pais e filhos estão cada vez mais próximos, sendo os filhos, algumas vezes, nomeados como amigos. Essa proximidade parece diminuir os conflitos entre as gerações e aumentar a intensidade das negociações. Em uma convivência mais permissiva, coexistem diferentes perspectivas, que contribuem para formar e manter em funcionamento as regras da família. As regras não são ditadas de cima para baixo, vindas de uma autoridade superior. A família é composta por iguais, incluindo os filhos que, com direito à autonomia, vão construindo sua identidade, sem o estabelecimento de limites rígidos.

Especialmente da adolescência para a vida adulta, os pais funcionam mais como “orientadores” do que como autoridades. Em pesquisa por mim realizada, as mães entrevistadas buscam palavras para nomear essa relação e costumam mencionar o termo amizade. Alguns pais utilizam a palavra autoridade, mas sem convicção de ser uma boa nomeação e, ao mesmo tempo, negam que essa seja uma relação de amizade. O discurso masculino, mais do que o feminino, tende a ressaltar a distinção entre pais e filhos.

De qualquer modo, pai e mãe, estão reinventando a relação junto com seus filhos, enquanto esses constroem a sua identidade de adulto. Como isso ocorre é o que eu estou investigando, ao procurar entender como pais e filhos são transformados, em um contexto de maior proximidade entre eles, menor hierarquia e aumento da igualdade.



Escrito por Edna Ponciano às 19h10
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Caminhos da vida adulta: autonomia e interdependência

A relação inicial da infância é caracterizada por cuidados físicos de sobrevivência e pela total dependência. A partir da adolescência, desenvolve-se um novo tipo de relação de cuidado: paradoxalmente, enquanto os filhos se tornam autônomos e almejam ser independentes, os pais exercem o papel de apoio ao crescimento dos filhos, permanecendo a necessidade de que estejam presentes e atuantes. 

Com a maior autonomia, diminuem as atividades feitas com os pais. Apesar disso, eles continuam sendo importantes para o desenvolvimento saudável do jovem. Uma conexão emocional com os pais facilita a conquista gradual e saudável de autonomia.

 

Essas duas fases, infância e adolescência, ligam-se a uma terceira que é a do surgimento gradual do adulto. Comumente, o desenvolvimento psicológico é pensado como uma progressão da dependência inicial à independência. De acordo com a perspectiva que tenho adotado, e que orienta minhas pesquisas, considero que o desenvolvimento deve ser visto como um processo contínuo de interdependência. Não há aquisição de autonomia sem um solo seguro de onde partir para conquistar o mundo. Esse solo seguro é constituído pelas relações, principalmente, com as figuras parentais. Destacando a presença do pai e da mãe, desde a infância, a vida adulta é um longo caminho facilitado pela companhia dos pais que, apesar das diciculdades e dos inúmeros obstáculos, ajudam os filhos a crescerem.

 



Escrito por Edna Ponciano às 22h45
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Transformação de pais e filhos: caminhos para a vida adulta

Ao longo do ciclo de vida, os pais assumem diferentes papéis no cuidado com a prole, enquanto os filhos caminham de uma maior para uma menor dependência. As transformações da sociedade atual modificam o ciclo de vida, modificando o relacionamento pais e filhos. Algumas tendências podem ser identificadas na instabilidade das relações amorosas, no prolongamento da formação profissional, no adiamento do casamento e da paternidade e no adiamento da saída da casa dos pais. Essas tendências modificam o papel dos pais, enquanto os filhos não se tornam completamente adultos, vivendo entre a adolescência e a vida adulta, numa espécie de moratória.

Em nossa sociedade, que promove uma grande liberdade de escolhas durante a transição para a vida adulta, é difícil definir uma idade específica para o término da adolescência e início da vida adulta.

Quando a adolescência termina e começa a vida adulta?

Depende das características de socialização de cada sociedade. Quanto mais individualista é uma cultura, mais a transição para a vida adulta é individualmente determinada. Quanto menos individualista, mais é socialmente determinada.

Nas sociedades industrializadas, que são mais individualistas, o que define a entrada na vida adulta é uma condição subjetiva: sentir-se como um adulto responsável, o que leva a comportar-se como tal. A vida adulta não é mais definida por marcadores sociais, como casar e ter filhos. Consequentemente, os pais encontram-se diante de um  desafio, redefinindo o papel parental. Esse desafio é mais da ordem emocional  do que material. Trata-se de ajudar ao filho ou a filha a a sentir-se adulto. Como realizar tal feito?



Escrito por Edna Ponciano às 22h03
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Transição para a vida adulta

A transição para a vida adulta é uma modificação do ciclo vital, relativizando a passagem direta da adolescência à vida adulta. Há um momento distinto, entre os 16 e os 26 anos de idade, considerado de transição, no qual o jovem não é adolescente nem adulto.

 

A presente geração de jovens desenvolve-se vivenciando uma fase caótica, prolongada, arriscada e menos estável, em relação a uma visão do ciclo de vida previsível, no qual se esperava que os filhos saíssem da casa dos pais, após o término da formação, casassem e tivessem filhos, completando essa fase bem antes dos trinta anos de idade. 

A transição para a vida adulta é variada e extensa no tempo. Nela incluem-se os seguintes comportamentos:

§  deixar e retornar à casa dos pais;

§  adiar o casamento;

§  experimentar formas diversas de relacionamento íntimo sem compromisso legal;

§  adiar, indefinidamente, o nascimento do primeiro filho.

Ainda que tenha peculiaridades que precisam ser discutidas separadamente, o Brasil tem acompanhando a tendência dos países ocidentais. A média de idade ao casar aumentou para ambos os sexos. Mesmo assim, as mulheres continuam se casando mais cedo do que os homens. A idade média dos homens ao casar aumentou de 26,9 anos, em 1990, para 29,3 anos, em 2000. A das mulheres aumentou de 23,5 anos, em 1990, para 25,7 anos em 2000 (Fonte: IBGE).

As taxas de casamento, em ambos os grupos, estão caindo como resultado do adiamento do compromisso. Em 1990, ocorreram 47,6 casamentos por mil homens de 20 a 24 anos. Em 2000, esse índice caiu para 29,1. Em 1990, 34,3 em cada mil mulheres de 15 a 24 anos se casaram e, em 2000, a proporção foi de 21,2 (Fonte: IBGE).

Da mesma forma, a taxa de fecundidade tende a diminuir com o aumento da escolaridade e da renda e, à medida que se elevam os anos de estudo, o padrão etário da fecundidade se torna mais tardio. Quanto mais privilegiam a formação mais os brasileiros adiam o casamento e o primeiro filho, indicando a existência de uma fase intermediária de adiamento dos compromissos, tradicionalmente, compreendidos como sendo da vida adulta.



Escrito por Edna Ponciano às 19h28
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Como e quando começa a vida adulta?

Recentemente, a OIT (Organização Internacional do Trabalho) divulgou um novo Relatório: Tendências Mundiais de emprego para a juventude – 2010. Esse relatório registra o número mais elevado de desemprego entre os jovens na faixa etária de 15 a 24 anos, alertando para o fato de que os jovens serão herdeiros de uma crise econômica que leva à desesperança quanto à possibilidade de se sustentarem decentemente.

Veja o relatório em: http://www.oitbrasil.org.br/topic/employment/doc/jovens_2010_184.pdf.

Ressalta-se, ainda, uma tendência mais lenta de recuperação para a taxa de desemprego de jovens, que provavelmente ficará atrás da recuperação da taxa dos adultos. Essa crise tem riscos sociais e emocionais como o desânimo, a prolongada falta de atividade e o aumento de trabalhos precários, sendo as mulheres jovens as mais atingidas. Durante a crise, segundo o relatório, alguns jovens desistem da busca pelo trabalho.

Tradicionalmente, entende-se que a vida adulta é alcançada pela independência financeira, pelo casamento e pela paternidade. Supondo que não há esperança de conquistar um trabalho que forneça o sustento e a independência financeira, não é possível concretizar o projeto de casar-se e ter filhos.

Atualmente, nas sociedades industrializadas, não há mais marcadores claros que definam a entrada na vida adulta. Os jovens podem até conquistar independência financeira, mas permanecem na casa dos pais sem casarem, experimentando vários tipos de trabalho e de relações amorosas, adiando indefinidamente a assunção de uma vida adulta.

Diante desse quadro, fica a pergunta: como e quando começa a vida adulta? 



Escrito por Edna Ponciano às 19h33
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